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6.2.09

e lula mentindo sobre o PAC(programa de aceleração do seu cu)

todas

Se o PAC fosse o que dizem o que o PAC é, o país não estaria neste ambiente recessivo.

Simples como isso.

Se houvesse investimentos criando uma demanda da ordem de R$ 646 bilhões em dois anos, não haveria desaceleração. Se apenas 2% das obras estivessem atrasadas, o país estaria andando. O governo está fazendo propaganda extemporânea e usando o Exército em frentes de obra.

O truque para o gordo número que o governo apresentou foi somar intenções de investimentos privados, que podem nem ser feitos, planos de estatais engordados por razões políticas, com investimento público que pode ou não ser feito. Depois, colocar tudo num mesmo embrulho e mostrar como obra do governo.

Tudo é PAC, até o que é feito pelos estados com dinheiro dos estados. A entrevista de ontem foi para escalar o número, levando-o dos iniciais R$ 503 bilhões para R$ 646 bilhões os recursos do programa até 2010.

Uma reunião de prestação de contas seria bem vinda. Se fosse de fato uma prestação de contas com transparência, mostrando onde está havendo problemas, que tipo de problemas e como devem ser removidos. Mas foi mais uma cena fantasiosa de apresentação de um número inflado para que, ao fim, se desse o recado eleitoreiro. “O governo quer um candidato que queira a continuidade do PAC”. Isso é propaganda fora de hora e no mesmo tom do que foi feito pelo governo durante a campanha municipal: vinculando-se projetos desejados pela população com o voto em determinado candidato.

Vários projetos do PAC estão sendo tocados pelo Exército, como a transposição do Rio São Francisco e as obras na BR-101 e na BR-319. O Exército é usado como empresa de obras, e para criar fato consumado e assim dissuadir os opositores do projeto. Em outros casos, a incapacidade gerencial é escondida pela acusação de que “o meio ambiente” é que impede a obra.

Em vários países, as obras para retomada do nível de atividade estão sendo usadas como parte do projeto de transição para uma economia de baixo carbono. Os projetos do PAC, com dinheiro público, licenciados ou patrocinados pelo estado, são feitos como se a questão ambiental e climática fosse uma abstração. A variável não é levada em conta, apesar de ser tratada com cada vez mais seriedade no mundo inteiro. Esse descuido explica o fato de o governo prever no seu plano decenal energético 67 termelétricas. É também pelo mesmo descuido com o futuro climático que o governo trata com tanto descaso as propostas alternativas para a BR-319, estrada que liga Manaus a Porto Velho. A obra, se for concluída, levará o desmatamento para o coração do estado mais preservado do país: o Amazonas. O governo faz projetos que criam enormes riscos ambientais e depois culpa o “meio ambiente” de impedir a aceleração do crescimento. Não é segredo para ninguém que a BR-319 é a alavanca na qual o ministro Alfredo Nascimento espera se projetar na candidatura ao governo do estado.

O PAC não tem o tamanho que dizem, a maior parte do número é fumaça. E no que tem de verdadeiro ele é, em muitos casos, uma ameaça, por ser planejado e executado com uma visão retrógrada.

Parte do espetáculo do crescimento do PAC anunciado ontem é o inflado plano de investimento da Petrobras. O preço do petróleo despencou, a demanda caiu, as empresas estão descapitalizadas, a Petrobras tem que pegar dinheiro na Caixa Econômica e no BNDES para se financiar, e diz que vai aumentar seu plano de investimento. Não vai por falta de dinheiro, mas o número fabricado serve ao propósito de apresentar outro número, o do PAC, bem gordo que justifique a frase: “o candidato de 2010 terá que apoiar o PAC”.

Míriam Leitão

o perigo do marxismo nas escolas

As universidades foram, aos poucos, sendo dominadas. Delas saíram os pedagogos que tomaram o poder no ensino, decretando parâmetros curriculares de cunho marxista. Hoje temos um paradoxo: quanto mais cara e “boa” for a escola, mais marxista será sua pregação.

Há algum tempo, o jornalista Ali Kamel denunciou um fenômeno que, na verdade, não é nada novo: a doutrinação marxista presente nos livros escolares. Eu mesmo já tive contato com ela, contato suficiente para desistir de dar aulas de História ao perceber que era forçado a ensinar mentiras.

Para passar em um vestibular, o aluno deve ser capaz de encontrar a resposta que mais agradaria a um membro do comitê central do Partido Comunista, e isso não é de hoje. O mesmo acontece com a Geografia, que é um pouco subsidiária da história devido à ênfase na geografia social, e nas outras matérias por conta da famosa “interdisciplinariedade”, nome complicado para o nobre afã de dar uma coerência mínima às coisas díspares que são ensinadas em cada disciplina.

A grita foi grande, falou-se nisso por um tempo, mas tudo continuou e continuará como dantes no quartel de abrantes. A razão é dupla: por um lado, temos uma casta de pedagogos marxistóides erigindo altares a Paulo Freire e suas esquerdopatias no currículo e nas escolas do país. Por outro lado, temos a própria visão de mundo marxista, que vê a doutrinação nas escolas como nobre, bela e verdadeira.

Explico: o marxista acredita que conhece o futuro. Algo assim como a Mãe Dinah, mas arvorando-se em ciência. A História seria, pensa ele, previsível. Haveria uma situação dada de opressão (a “tese”), contra a qual levantar-se-ia uma revolução (a “antítese”). Esta derrubaria aquela, absorvendo-a e fazendo-se “síntese”. Esta síntese, por sua vez, seria a nova “tese”, contra a qual surgiria outra “antítese”, e por aí vai. O resultado é que a História, com “H” maiúsculo, iria andando assim, em passos coordenados de dança de salão, avançando sempre para a esquerda. Afinal, a “antítese” estaria sempre, por definição, mais à esquerda que a “tese”, o que explica a estapafúrdia leitura de um movimento reacionário, monarquista e católico como progressista, anticlerical e revolucionário que se operou na historiografia de algibeira feita em torno de Canudos.

Deste modo, o marxista vê a situação atual e diz que “o PT virou tese, sintetizando-se com o PSDB; a vanguarda do proletariado agora é o PSTU, MST etc., que estão à esquerda do PT”. É o que explica os ataques de muitos marxistas ao governo atual, similares aos ataques feitos ao governo anterior. Antes era o PSDB a tese e o PT a antítese, mas teria havido outro passinho de dança de salão (um, dois e... três), e quem quiser estar na vanguarda deve acompanhar a dança.

A interpretação da história, para um marxista, forçosamente ocorre neste quadro absurdamente reducionista. Em uma história marxista, a era de mil anos de duração que nos legou as universidades, a democracia representativa, a ciência experimental, a sujeição do arbítrio dos governantes, etc., conhecida como Idade Média, consiste em geral em uma ou duas páginas sobre o “modo de produção feudal”, mostrando como a nobreza oprimia os camponeses. Logo em seguida, pula-se para o Renascimento, sem mencionar que foi neste período, não na Idade Média, que ocorreram as famigeradas queimas de bruxas (aliás mais comuns em territórios protestantes). Daí já se salta para – finalmente! – a chegada da antítese: a burguesia que derruba a aristocracia na Revolução Francesa. A Revolução Americana, tão revolucionária quanto a ocorrida dez anos antes, em geral passa quase em branco. Pega mal falar bem dos EUA.

Enquanto os militares corriam atrás de meia-dúzia de garotões mimados brincando de guerrilheiros (os mesmos que hoje ganham indenizações milionárias pagas com nossos impostos), marxistas mais inteligentes procuraram dominar as universidades e, por tabela, o ensino fundamental e médio. Afinal, é no lugar em que se explica a história que se pode fazer mais facilmente uma doutrinação que se pretende baseada em leis que orientariam o próprio curso da História.

Este trabalho foi feito aos poucos. As universidades foram, aos poucos, sendo dominadas. Delas saíram os pedagogos que tomaram o poder no ensino, decretando parâmetros curriculares de cunho marxista. Hoje temos um paradoxo: quanto mais cara e “boa” for a escola, mais marxista será sua pregação. O aluno não terá chance alguma de passar em um vestibular se não estiver com o bestialógico marxista bem na ponta da língua. É por isso que escolas indubitavelmente conservadoras, como o São Bento, no Rio, são flagradas usando material marxista.

Isto não é novidade nenhuma. Só acaba quando o MEC acabar.

17.10.08

pt orquestra confronto entre policiais em são paulo

Serra, FHC e Kassab criticam motivação eleitoral de confronto entre polícias de SP


Ao lado do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o governador José Serra (PSDB) reafirmou nesta sexta-feira que o confronto de ontem entre policiais civis e militares teve motivação política . O governador acusou o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), de ter planejado o protesto.

Nesta quinta-feira, uma manifestação de policiais civis --que estão em greve desde o dia 16 de setembro-- em frente ao Palácio dos Bandeirantes, terminou em violência. A polícia militar impediu os manifestantes de se aproximarem da sede do governo e reprimiram o protesto com gás e bombas de efeito moral.

da Folha Online

O governador José Serra (PSDB) acusou diretamente o PT e o PDT de serem os responsáveis pela manifestação de policiais civis na tarde desta quinta-feira, que terminou com um confronto com a Polícia Militar nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes --sede do governo do Estado. Os grevistas rebateram as declarações do governador.

"Não tenho dúvida nenhuma que tem uma participação ativa da CUT [Central Única dos Trabalhadores], que é ligada ao PT, e da Força Sindical, ligada ao PDT. Na verdade procurou-se politizar essa movimentação tanto é que líder do PT "botando fogo' em função do momento político eleitoral. A manifestação de hoje reuniu em torno de mil pessoas. A Polícia Civil tem 35 mil efetivos. Algumas dessas pessoas não são da polícia. São ativistas sindicais, que não sabemos dizer o número, mas com certeza estavam lá presentes", disse o governador durante entrevista concedida no Palácio dos Bandeirantes.

O secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, também atribuiu o protesto às centrais sindicais. "Quem deu a infra estrutura para a manifestação de hoje foi a Força Sindical. Quem deu a infra-estrutura até agora foi a CUT".


na alemanha tem leis e o povo segue todas

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17.9.08

roque detona requião o maior nepotista do brasil

Entre os adjetivos utilizados para Eduardo estão "porco", "canalha", "safado" e "cachorrão". Ao governador, restou a acusação de "fingir-se de morto" em relação a supostas irregularidades cometidas pelo irmão na Appa.






15.9.08

parabéns alvaro dias (psdb)

Espionagem, impunidade e decepção

Alvaro Dias

Escândalo da vez, revelado novamente pela competência do jornalismo investigativo brasileiro, os grampos telefônicos foram engendrados para obter dados para futura chantagem e intimidação política. Eventuais pecados dos espionados seriam utilizados para silenciá-los, tornando-os cúmplices dos ilícitos que ocorrem sob o manto da impunidade. Os alvos da ação delituosa foram escolhidos em razão de sua atuação. O Supremo Tribunal Federal (STF) vem decidindo sobre matérias de vital interesse do governo federal, e os parlamentares da oposição fecham o cerco sobre os descaminhos éticos e morais da gestão governamental.

O presidente da República decidiu afastar preventivamente o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sucedânea do temido Serviço Nacional de Informações (SNI). Uma medida acertada em face do rumoroso episódio de espionagem oficial. Em outras oportunidades pecou por não decidir com agilidade e errou politicamente insistindo em manter no cargo verdadeiros cadáveres insepultos. Na seqüência de escândalos que assistimos desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lamentavelmente o compadrio oficial retardou decisões inadiáveis e deu sobrevida inexplicável a figuras que já haviam sido desacreditadas pela sociedade organizada.

Não é possível imaginar que uma “sindicância interna” apontará os responsáveis ou os mentores desse atentado ao Estado Democrático de Direito. A conclusão desse episódio será mais uma decepção. O governo não apontará os verdadeiros responsáveis pelo delito, teremos mais vez um crime perpetrado por autores desconhecidos. A consagração de uma hierarquia penal que se aplica apenas aos subalternos e transforma em inimputáveis os integrantes do alto escalão.

Lançar expectativas em torno da aprovação de mais um dispositivo legal como solução mágica para coibir a prática de ilícitos nesse campo - no caso o PL 3272/08, de iniciativa do Poder Executivo, que regula e limita as escutas telefônicas no âmbito das investigações - é mais uma quimera alimentada para iludir a opinião pública.

Vale reavivar que a prática de escutas clandestinas proliferou nos regimes totalitários, sendo instrumento largamente utilizado nos países do leste europeu durante a Guerra Fria para monitorar e perseguir os opositores do regime. É com assombro que constatamos a existência de práticas tão condenáveis em plena vigência do Estado Democrático conquistado a duras penas pelo povo brasileiro.

Em que pese correta qualificação feita pela nossa Suprema Corte sobre o episódio dos grampos telefônicos - “o mais grave” das relações institucionais desde a promulgação da Constituição da República de 1988 -, os lances delituosos se repetem rotineiramente banalizando ilícitos e consagrando a prática de escutas telefônicas clandestinas.

Aos que trilham o caminho da correção e permanecem na posição inarredável de defensores da legalidade insisto que cabe uma ação afirmativa e contundente. As providências não podem ser paliativas. Sendo assim, a executiva do PSDB, o partido Democratas (DEM) e o Partido Popular Socialista (PPS) decidiram provocar o Ministério Público, instando aquela instituição a instaurar processo investigativo considerando que o fato delituoso configurou atentado frontal ao regime democrático. Os partidos, em conjunto, deliberaram, entre outras medidas, pela instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as escutas clandestinas.

Enxergo nessa iniciativa uma obrigação, um dever de nossa parte. Não podemos condescender diante da gravidade dos fatos que estão postos nesse episódio. Transigir nesse caso é compactuar com um ataque à democracia. A reação do parlamento foi tímida. Precisamos reagir mais fortemente a essa investida autoritária.

Vamos resistir e peregrinar em instâncias como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o próprio Supremo Tribunal Federal buscando galvanizar o sentimento de repulsa diante da afronta à Constituição Federal, tentativa caracterizada na invasão da privacidade que violenta as tradições democráticas do povo brasileiro.

A crise institucional não se configura, na sua plenitude, em razão da anestesia que paralisa os cidadãos de bem. Mesmo assim, não posso deixar passar em branco o meu prognóstico: a conclusão será frustrante. É o que antevejo por conhecer o que temos no comando da República. A impunidade seguirá fazendo escola e levando decepção à legião silenciosa de brasileiros honrados.

Alvaro Dias (PSDB-PR) é senador, 2.º vice-presidente do Senado e vice-líder do PSDB.


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o caranaval eleitoreiro do pré-sal,lula mentindo e enganando o povo

escritor Lima Barreto "o Brasil não tem povo, tem público".
filósofo francês Voltaire, "o público é uma besta feroz: devemos enjaulá-la ou fugir dela".
Sêneca proclamava: "Não confie muito em causa aplaudida pela multidão".
reflexões enquadradoras da demagogia populista geradora de falsas expectativas

Estas considerações decorreram do uso abusivo do marketing eleitoral e demagógico que o governo vem fazendo do pré-sal como bandeira de exploração política.
Chegando ao delírio e desrespeito litúrgico da própria função presidencial, pela linguagem chula e marginal usada pelo presidente da República:
"Por isso que a água do mar é salgada? É por causa do pré-sal? Eu pensei que fosse por causa do xixi que as pessoas fazem na praia, no domingo".
Para não ficar sozinho, a ministra Dilma Rousseff o saudou:
"Voltamos ao Sítio do Pica-pau Amarelo. Aquele sítio era o Brasil. A Petrobras achou petróleo atrás do galinheiro do sítio". Objetivava homenagear Monteiro Lobato, pioneiro na luta do petróleo brasileiro.

O cenário surrealista era o Campo de Jubarte, no Espírito Santo, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciava a primeira extração simbólica de petróleo do pré-sal. Na verdade, a primeira extração política eleitoral do pré-sal. Em Jubarte, a Petrobras fez apenas o trivial, conectando um poço de 200 metros abaixo do sal na plataforma P-34 que já produzia petróleo de jazidas situadas acima da camada de sal. É apenas uma área experimental, geradora de fonte de conhecimento.

A fantasia criada por um marketing político engajado na mistificação aliada a um certo jornalismo "fast-food" chapa branca, tenta induzir a sociedade a acreditar que o pré-sal brasileiro é descoberta do atual governo. Em verdade, há mais de três décadas a Petrobras já conhecia e desenvolvia tecnologia para atingir a camada do pré-sal. Em meados da década de 70, na Bacia de Campos, os campos de Badejo e Enchova, já produziam óleo de reservatórios abaixo da camada de sal, exatamente igual à extraída agora pelo presidente Lula no Campo de Jubarte. Como se vê é propaganda pura e cristalina.

O fato novo na história brasileira de petróleo é o volume das reservas localizadas na área de Tupi e Carioca, a mais de 300 quilômetros da nossa costa. Mas, para que isso acontecesse diferente do que acredita a ministra Dilma Rousseff, para quem "o futuro já começou e vem sendo construído pelo governo Lula", os semeadores desse futuro foram outros personagens. Em um país de memória rala torna-se importante recorrer à história, para desmitificar os assaltantes de feitos que tiveram outros autores.

A verdade histórica determina que é fundamental registrar que a descoberta de petróleo no mar, na Bacia de Campos, tem um único pai: o geólogo Carlos Walter Marinho Campos. Foi a sua determinação e coragem persistente responsável pela descoberta da maior província petrolífera do Brasil. Em 1973 demonstrou que havia indícios da existência de petróleo na parte submersa do poço 1-3-R-157, na área de Macaé. Diretor da Petrobras na área de exploração aprofundou as pesquisas em parte rasa da costa oceânica, com investimentos limitados.

Visitando o Oriente Médio em viagem de observação, Carlos Walter Marinho Campos, ao retornar ao Brasil se defrontou com a determinação da empresa, presidida pelo general Ernesto Geisel, de que deveria abandonar o projeto pela inviabilidade da existência de óleo.

Sua resistência em acatar a determinação foi fundamental para o País. Possuía memória geológica demonstrando que aquele poço que se revelava seco, logo abaixo se encontrava uma camada de calcário. No Irã e no Iraque, o grande geólogo havia observado que esse tipo de rocha de calcário produz grande quantidade de petróleo. Assumiu o desafio e não acatou a determinação proibitiva, aprofundou as pesquisas descobrindo sinais indicativos de óleo na formação batizada "calcário de Macaé". O prosseguimento dos trabalhos técnicos exploratórios culminou na extraordinária vitória com a descoberta do campo de Garoupa. A teimosia e indomável coragem de Carlos Walter mudou a história do Brasil e da Petrobras introduzindo a exploração "offshore" (no mar), onde antes predominava a exploração "onshore" (em terra). Aí se localiza a origem do pré-sal.

O anúncio carnavalesco e marqueteiro no campo de Jubarte feito pelo presidente da República, do pioneirismo do pré-sal na produção de óleo é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais. A descoberta do reservatório na camada do pré-sal é um acontecimento da maior importância para a economia brasileira. Está fadado a estimular o desenvolvimento de toda uma cadeia produtiva de alta tecnologia, mobilizando investimentos de grande vulto. Envolve enormes desafios operacionais, financeiros, tecnológicos, não podendo ser usado, irresponsavelmente, como bandeira de exploração política.

Apostar no marketing para superdimensionar uma realidade e feitos oficiais tão afeitos ao governo brasileiro, muitas vezes se transformam em notáveis frustrações. Citemos alguns mais recentes. Em 21 de abril de 2007, o governo anunciou a auto-suficiência do petróleo e promoveu campanha publicitária que teve um custo de R$ 100 milhões. A conta do petróleo vem sendo deficitária, já que o Brasil continua a ser importador. No primeiro semestre de 2008, o Brasil gastou algo da ordem de US$ 4 bilhões. As parcerias público-privadas, alardeadas como solução para a infra-estrutura, em 2004, em monumentais campanhas foi um sonho de verão. O mesmo ocorreu com o biodiesel de mamona anunciado ao mundo como alternativa energética. Não se fala mais n o assunto. Outros programas anunciados aos sete ventos, tipo Fome Zero ou Primeiro Emprego, redundaram em grandes fracassos.

Objetivamente, em relação às fantásticas possibilidades do pré-sal, deveria se evitar que os marqueteiros de plantão carnavalize o êxito da Petrobrás, após três décadas de pesquisas, em vitoria de um governo. O grande vitorioso é o Brasil.

Hélio Duque doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi deputado federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.
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